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Sl 16 - Caminhos da vida
“Ao Senhor declaro: “Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti. Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita, há delícias perpetuamente.” Sl16.2,5,11
Este é dos salmos de Davi. Fica evidente que a vida dele estava entrelaçada com o Senhor. Encontramos muitos pronomes pessoais, mas nunca sem a referência a Deus e Seu caráter. Davi não era uma pessoa centrada em si mesmo, mas sim um homem com o Senhor no centro da sua vida. Isso deveria parecer obvio a todo cristão, mas sabemos que não é assim. É muito fácil dizermos que somos cristãos e ainda sermos o centro da nossa vida.
Ao mesmo que este Salmo é pessoal, também é um salmo messiânico, apontando para a vida de Jesus na cruz; o que Davi disse se cumpriu: “porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição.”
No Salmo encontramos também a perspectiva de Davi em relação aos tempos. Ele via Deus no seu presente, ao mesmo tempo em que olhava para o futuro sob a perspectiva da eternidade gloriosa na presença do Senhor. Não encontramos nele uma postura de aguentar, suportar a vida hoje, enquanto o futuro não chega.
Davi já vivia, no presente, mesmo com lutas e adversidades imensas, um relacionamento pessoal e profundo com Deus. “Tu és o meu Senhor”, é a afirmação fundamental deste servo.
Como rei, Davi teve riquezas, fama, autoridade e coisas que poucas pessoas no mundo podem ter acesso. Mas ao descrever o que realmente tem valor, nada disso tem destaque. Tudo que este mundo pode oferecer ficou opaco aos olhos de Davi, diante da realidade que vivia em Deus.
Davi também percebeu a diferença entre adorar a Deus e adorar outros deuses. Ele entendeu o sofrimento que a idolatria traz e decidiu ficar longe dos ídolos. Nenhum ídolo pode ser comparado com a presença de Deus!
No último verso, Davi disse: “Tu me farás ver os caminhos da vida”. Que caminhos são esses? Primeiro, podemos lembrar que existem caminhos de morte e não de vida; são caminhos que autodestruição, de agressão e violência a si mesmo, na busca de valores e conquistas que podem até ter aparência de bem, mas ao final são caminhos de morte.
Os caminhos de vida são aqueles que apontam para o Senhor da vida, o Deus Criador, que nos fez à Sua imagem e semelhança. Os caminhos de vida nos movem em direção à restauração da imagem do Senhor em nós. Davi não achava que era capaz de reconhecer esses caminhos por si só, mas atribuía a Deus a direção de sua vida.
“Tu me farás ver...”, revela a dependência que Davi tinha de Deus e o reconhecimento de suas limitações humanas.
Ele ainda disse: “na tua presença há plenitude de alegria”. Quem não quer desfrutar da alegria plena? Essa alegria vem de Deus e nunca poderá ser alcançada por meio das coisas deste mundo. A presença de Deus é a fonte de toda a alegria, da plena alegria!
O Senhor era tudo na vida de Davi e quer ser nosso Tudo hoje. Que Ele nos faça ver os caminhos da vida e que nosso coração responda dizendo ‘Tu és meu Senhor, Tu és a minha porção; outro bem não possuo senão a ti somente”.